
O termo vitamina C é uma denominação genérica para todos os compostos que apresentam atividade biológica de ácido ascórbico. É um cofator para enzimas envolvidos na biossíntese do colágeno, hormônios adrenais, carnitina e de neurotransmissores, participa do processo da inativação de radicais livres e é capaz de regenerar a forma antioxidante da vitamina E (SILVA, 2001). O metabolismo da tirosina é interrompido na ausência dessa vitamina. E ainda, além de aumentar a absorção e utilização do ferro não-heme mesmo na presença de fatores inibidores (fitatos, polifenóis, fosfatos, carbonatos e taninos) nas refeições permite a transformação da forma férrica para forma ferrosa, porém elevada ingestão de vitamina C pode causar depleção de cobre (FRANCO 1998).
Deficiência de vitamina C em gestantes é relacionada ao surgimento de DHEG (doença hipertensiva específica da gravidez) e pré-eclampsia (VITOLO, 2003).
Muitos estudos relatam que a vitamina C atua na proteção da peroxidação lipídica, especialmente do HDL colesterol, apresentando efeito cardioprotetor e inibidor da arterogênese (HILLSTRONS, 2003).
Ingestão de 80 a 120 mg de vitamina C pode reduzir o risco de doenças crônicas não infecciosas. Já os fumantes necessitam de aporte maior que 140 mg/dia (SILVA, 2001), isso porque a vitamina C atua como antioxidante, combatendo os radicais livres que são liberados pelos fumantes, ajudando a prevenir o envelhecimento precoce das células, além de melhorar a circulação sanguínea cardíaca, que é danificada pelo tabagismo.
Em relação á biodisponibilidade, não há diferenças entre as formas naturais e sintéticas. Mas a forma sintética esta relacionada a uma maior produção de radicais ascorbil. Já a forma natural, por estar associada aos bioflavonóides (presente em frutas, verduras e legumes) tem uma formação menor de ácido ascorbil, uma vez que os bioflavonóides reduzem o processo oxidativo (MAHAN & ARLIN, 2002).
Sua absorção ocorre em 80 a 90% na dieta oral, no intestino delgado por transporte ativo, depende da presença de sódio na luz intestinal. Sua excreção é urinária (FRANCO, 1998).
Altas quantidades excessivas ingeridas até o nível de saturação de vários tecidos são excretadas na urina como ácido oxálico; ingestões maiores que 100g/dia levam à eliminação do excesso, como ácido ascórbico ou como dióxido de carbono exalado (MAHAN & ARLIN, 2002).
Altas quantidades excessivas ingeridas até o nível de saturação de vários tecidos são excretadas na urina como ácido oxálico; ingestões maiores que 100g/dia levam à eliminação do excesso, como ácido ascórbico ou como dióxido de carbono exalado (MAHAN & ARLIN, 2002).
Os principais efeitos adversos após o consumo elevado de vitamina C são: diarréia osmótica e distúrbios gastrointestinais, aumento da excreção de oxalato e formação de cálculo renal e aumento da excreção de ácido úrico. Sendo assim pacientes com histórico de gota, pedras nos rins ou doenças renais não devem ultrapassar 1g por dia (MAHAN & ARLIN, 2002), exceto sob orientação médica.
Considerando todas as ações bioquímicas e enzimáticas da vitamina C, os sintomas de deficiência incluem: cabelos fracos e quebradiços, hemorragias, fraqueza muscular, gengivites, anemia, falta de apetite, inchaço nas articulações, confusão mental, histeria e até mesmo esquizofrenia (MAHAN & ARLIN, 2002).
O clássico sintoma da deficiência da vitamina C é o escorbuto, afetando o sistema mesenquinal, uma vez que esta substância é fundamental na síntese do colágeno. Este quadro clínico é acompanhado pela redução da concentração de vitamina C no plasma e leucócitos. A incidência desta doença foi diminuída, a partir do século XVII, com a introdução da batata ( vinda da América do Sul) como fonte de vitamina C na dieta alimentar européia. Hoje em dia é uma doença muito rara, porém uma alimentação sem ingestão de verduras e frutas frescas pode causar esta doença. (AZULAY, 2003).
Os alimentos fontes de vitamina C incluem vegetais folhosos, legumes e frutas. Exemplos:
Alimento | Vitamina C (mg/100g) |
Acerola | 1677,5 |
Pimentão vermelho cru | 190 |
Goiaba | 184 |
Kiwi | 98 |
Brócolis crú | 93,2 |
Brócolis cozidos | 74,6 |
Maracujá | 70 |
Mamão papaya | 61,8 |
Repolho crú | 57 |
Morango | 56,7 |
Laranja | 53,2 |
A vitamina C é sensível ao calor, luz e oxigênio. Nos alimentos, pode ser parcialmente ou completamente destruída por um armazenamento longo ou pelo cozimento. Dessa maneira, o cozimento dos alimentos deve ser no menor tempo possível, para que não sejam oxidados, e ainda com pouca água, ou no vapor com consumo imediato.
A recomendação diária de vitamina C de acordo com a Recommended Dietary Allowances para população masculina com idade acima de 18 anos é de 90 mg e para a população feminina com idade acima de 18 anos é de 75 mg. Os limites máximos de ingestão de Vitamina C de acordo com as Dietary Reference Intake e ANVISA para homens e mulheres com idade acima de 18 anos são de 2000mg. (DRIs, 2000)
Referências:
SILVA, CRM; NAVES, MMV. Suplementação de vitaminas na prevenção de câncer. Rev. Nutr., Ago 2001, vol.14, no.2, p.135-143
FRANCO, G. Tabela de Composição Química dos Alimentos. 9 ed. São Paulo: Atheneu, 1998.
VITOLO, M.R.Nutrição: da gestação à adolescência. Rio de Janeiro, Reichman & Affonso Editores, 2003.
HILLSTRONS, R.J; AMMONS, AKY; LYNCH, SM. Vitamin C Inhibits lipid oxidation in human HDL. J Nutr2003, 133:3047-3051
MAHAN, K.L.; ARLIN, T.M. Vitaminas. In: KRAUSE, M.V. Alimentos, nutrição e dietoterapia. 10.ed. São Paulo: Roca, 2002. cap.6, p.71103.
AZULAY, M.M.;LACERDA, C.A.M.;PEREZ M.A;FILGUEIRA A.L.;CUZZI L. Vitamina C. An. Bras. Dermatol. V.78 no.3 Rio de Janeiro , 2003
AZULAY, M.M.;LACERDA, C.A.M.;PEREZ M.A;FILGUEIRA A.L.;CUZZI L. Vitamina C. An. Bras. Dermatol. V.78 no.3 Rio de Janeiro , 2003
OLIVEIRA, J.E.P; MILECH, A. Diabetes Mellitus: clínica, diagnóstico, tratamento multidisciplinar. São Paulo: Atheneu, 2004
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